2.01.2007

A pequena mártir, Sara

Nos últimos tempos, temos assistido a uma sucessão de casos sórdidos de maus-tratos a menores.
Joana, Vanessa, Catarina, Iury, Letícia e Sara, entre outros, são apenas nomes, de algumas crianças violentadas pela própria família, cujos casos foram denunciados na comunicação social.
O último caso, Sara, de dois anos e meio de idade, era a única filha de entre
quatro irmãos, vitima de maus-tratos por parte da mãe.
A educadora de infância da pequena Sara, já se havia apercebido da violência infligida á menina, tendo declarado à comunicação social, que a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, de Monção, já estava informada de toda a situação.
Foi a própria educadora que ao verificar que a menina chegava algumas vezes à creche com hematomas e arranhões por todo o corpo, que alertou de imediato a C.P.C.J.
Uma das vezes, a menina terá chegado à creche, com vários cortes (de faca) nas pontas dos dedos.
A educadora declarou ainda, que a pequena Sara, andava sempre com muito pouca roupa no corpo, ao contrário dos irmãos, que chegavam à creche sempre bem agasalhados.
A Sara era uma criança triste, que quando chegava ao infantário, a primeira coisa que pedia era… pão, comendo-o com sofreguidão.
A Sara já estava sinalizada na antiga C.P.C.J. de Viseu (de onde a família tinha partido, para viver em Monção), não, como vítima de maus-tratos, mas como vítima de negligência, má nutrição e falta de higiene. Como se isto não bastasse, a pequenina Sara ainda era espancada com frequência, pela própria mãe.
A educadora alertou a C.P.C.J. de Monção, que já estaria informada pela C.P.C.J. de Viseu, mas não houve ninguém preocupada e capaz de salvar a pobrezinha, que acabou por morrer nas mãos de uma mãe assassina, que a
terá espancado até à morte.
Depois da morte da Sara, recordo ter visto na televisão, várias vizinhos da família da menina, a dizer que viam com alguma frequência o corpo de Sara marcado com nódoas negras.
Parece que, afinal todos sabiam, todos sabiam que a criança era vítima de maus-tratos.
Li nos jornais que os próprios familiares vieram dizer, após a sua morte, que não gostavam nada da maneira como a mãe tratava a menina.
Eu pergunto: O que é que essas pessoas fizeram por Sara? Nada. As pessoas sabiam mas não fizeram nada!
E, agora, que a menina já não está entre nós, levantam-se algumas vozes, a questionar de quem é a culpa.
A culpa vai directamente para aquele horror de ser humano, a quem chamam mãe, de Sara.
Se me dão licença (num desabafo à parte), agora que se fala tanto do referendo sobre o aborto… mais valia que aquela mulher tivesse abortado e poupado a menina a tanta dor e sofrimento. Mas não abortou, com certeza porque não tinha dinheiro para o pagar.
A culpa é também de todos nós, de todos aqueles que sabiam o que se passava e nada fizeram.
A culpa, é também e principalmente, do nosso Estado, dos erros de avaliação e da inoperância das nossas instituições, (no caso concreto, Segurança Social e Comissão de Protecção de Crianças e Jovens), a quem cabe proteger os menores em situação de perigo. Mas, infelizmente, não foram capazes de evitar a morte de mais uma criança, inocente e indefesa.
Sou mãe de uma menina com a mesma idade da Sara.

Não paro de pensar no sofrimento causado àquela menina, durante o seu curtíssimo tempo de vida. Dois anos e meio… repletos de agressões, muita fome, sem manifestações de qualquer carinho ou amor, sem a devida segurança e protecção. Pobre menina.
Á memória de Sara
Descansa em paz, meu anjo
(Agora, já ninguém te faz mal)

1 comentário:

Anónimo disse...

Minha querida
Adorei, tanto o texto como a fotografia.É pena que não haja mais denúncias e que se continue a tratar as crianças como se fossem meros objectos que se mudam de um lado para o outro. Estou também a falar das crianças que apesar dos maus tratos são entregues aos pais biológicos em vez de serem adotadas e terem uma vida de afetos e protecção. Sim, cada vez mais o nosso país e cidadãos são passivos no que repeita os maus tratos ás crianças. É também imprecionante ver pessoas tão fanáticas contra a descriminalização do aborto, que professam aquilo que eu chamaria de uma demagogia do sim pela vida, quando depois pouco se importam com com a vida dessas crianças.
Parabéns
Eunice Reis